O bebê que nasce antes de 37 semanas de gestação é considerado prematuro. Um pouco menos de 12% dos bebês são prematuros. No total, a taxas de nascimentos pré-termo está em elevação, principalmente por causa do grande número de nascimentos múltiplos nos últimos anos. Os gêmeos e outros múltiplos têm cerca de seis vezes mais probabilidade de ser prematuros do que os bebês únicos. A taxa de prematuridade cresce ligeiramente a cada ano.

Outro termo usado para designar a prematuridade é pré-termo ou prematuro. Pré-termo refere-se à gravidez (como em trabalho de parto pré-termo), enquanto prematuro é mais usado para descrever a criança. Muitos bebês prematuros pesam menos de 2,500 kg e são chamados de baixo peso ao nascimento (BPN).

O que causa a prematuridade?

Muitos fatores entram em cena quando o bebê é prematuro. Alguns deles causam diretamente o trabalho de parto e o nascimento pré-termo e outros podem deixar a mãe ou o bebê doente e exigem o nascimento antes do termo da gestação. Os seguintes fatores podem contribuir para o nascimento prematuro:

Fatores maternos:

  • pré-eclâmpsia (também conhecida como toxemia ou pressão alta da gravidez)
  • doença crônica (como cardiopatia ou nefropatia)
  • infecção (como estreptococos do grupo B, infecções do trato urinário, infecções vaginais e do feto ou dos tecidos placentários)
  • uso de drogas (como cocaína)
  • estrutura anormal do útero
  • incompetência cervical (incapacidade do colo do útero de ficar fechado durante a gravidez)
  • nascimento pré-termo prévio

Fatores que envolvem a gravidez:

  • função anormal ou reduzida da placenta
  • placenta prévia (implantação da placenta no segmento inferior do útero)
  • descolamento precoce da placenta (a placenta se solta do útero)
  • ruptura prematura das membranas (saco amniótico)
  • poli-hidrâmnio (muito líquido amniótico)

Fatores que envolvem o feto:

  • quanto o comportamento fetal indica que o ambiente intrauterino não é saudável
  • gestação múltipla (gêmeos, trigêmeos ou mais)

Porque a prematuridade é uma preocupação?

Os bebês prematuros nascem antes que o corpo e os sistemas de órgãos tenham amadurecido completamente. Esses bebês em geral são pequenos, com baixo peso ao nascimento (menos de 2,300 kg) e podem precisar de assistência respiratória, ajuda para comer, combate a infecções e ajuda para se manterem aquecidos. Os bebês muito prematuros, que nascem antes de 28 semanas de gestação, são especialmente vulneráveis. Muitos de seus órgãos podem não estar prontos para viver fora do útero da mãe e também podem ser muito imaturos para exercer suas funções.
Alguns dos problemas que os bebês prematuros podem enfrentar são:

  • instabilidade de temperatura – incapacidade de ficar aquecido devido à baixa gordura corporal
  • problemas respiratórios:
    • doença da membrana hialina/síndrome da angústia respiratória – doença na qual os sacos aéreos (alvéolos) não podem ficar abertos devido à falta de substâncias tensoativas nos pulmões
    • doença pulmonar crônica/displasia broncopulmonar – problemas respiratórios prolongados causados por lesões do tecido pulmonar
    • extravasamento de ar para fora dos espaços normais dos pulmões e para outros tecidos
    • desenvolvimento incompleto do pulmão
    • apneia (parada da respiração) – ocorre em metade dos bebês nascidos com 30 semanas de gestação ou menos
  • problemas cardiovasculares:
    • ducto arterioso persistente (DAP) – afecção cardíaca que faz com que o sangue desvie para longe dos pulmões
    • pressão arterial muito baixa ou muito alta
    • baixa frequência cardíaca – em geral, ocorre com apneia
  • sangue e metabolismo:
    • anemia – pode precisar de transfusão de sangue
    • icterícia – devida à imaturidade do fígado e da função gastrintestinal
    • níveis muito baixos ou muito elevados de minerais e outras substâncias no sangue, como cálcio e glicose (açúcar)
  • problemas gastrintestinais:
    • dificuldade de alimentação – muitos são incapazes de sugar e deglutir antes das 35 semanas de gestação
    • má digestão
    • enterocolite necrosante (ECN) – doença grave do intestino, comum em bebês prematuros
  • problemas neurológicos:
    • hemorragia intraventricular – sangramento no cérebro
    • leucomalácia periventricular – amolecimento dos tecidos do cérebro em tornos dos ventrículos cerebrais (espaços que contêm líquido cerebrospinal).
    • tônus muscular fraco
    • convulsões – podem dever-se à hemorragia cerebral
  • retinopatia da prematuridade – crescimento anormal de vasos sanguíneos no olho do bebê
  • infecções – os lactentes prematuros são mais suscetíveis à infecção e podem precisar de antibióticos

Como a prematuridade pode ser evitada?

Por causa dos enormes avanços no tratamento de lactentes prematuros, cada vez mais bebês sobrevivem, apesar de nascerem precocemente e serem muito pequenos. Contudo, a prevenção do nascimento prematuro é a melhor maneira de promover a saúde dos bebês.

O atendimento pré-natal é fator essencial na prevenção da prematuridade e do baixo peso dos bebês ao nascimento. Nas consultas de pré-natal, a saúde da mãe e do feto pode ser acompanhada.

Como a nutrição materna e o ganho de peso estão ligados ao ganho de peso fetal e ao peso ao nascimento, fazer uma dieta e ganhar peso saudável durante a gestação são essenciais. O atendimento pré-natal também é importante para identificar problemas e estilos de vida que podem aumentar os riscos do trabalho de parto e do nascimento pré-termo. Alguns modos de evitar a prematuridade e proporcionar o melhor atendimento para os bebês prematuros são os seguintes:

  • identificar as mães em risco de trabalho de parto pré-termo
  • instrução sobre os sintomas de trabalho de parto prematuro
  • evitar trabalho pesado ou repetitivo em pé durante períodos prolongados, o que pode aumentar o risco de trabalho de parto pré-termo
  • identificação e tratamento precoce do trabalho de parto pré-termo

Quais são as características de um bebê prematuro?

Abaixo, estão as características mais comuns desses lactentes. No entanto, os bebês podem apresentar outros sinais. As características incluem:

  • bebê pequeno, pesando menos de 2,500 kg
  • pele fina, brilhante, vermelha ou cor de rosa, que permite ver as veias
  • pouca gordura corporal
  • pouco cabelo, mas pode ter muita lanugem (pelos finos e macios)
  • choro e tônus corporal fracos
  • os genitais podem ser pequenos e subdesenvolvidos

Tratamento e cuidados do prematuro

Terapia intensiva

Os bebês prematuros em geral precisam ser tratados em berçários especiais, chamados unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN).

Medicação com corticosteroides

Uma das partes mais importantes do tratamento de lactentes prematuros é um medicamento chamado corticosteroide. As pesquisas constaram que dar esteroides à mãe pelo menos 48 horas antes do nascimento reduz bastante a incidência e a gravidade da doença respiratória no bebê.

Outro grande benefício do tratamento com esteroides é a redução da hemorragia intraventricular (sangramento do cérebro do bebê). Embora os estudos clínicos não sejam claros, os esteroides pré-natais também ajudam a reduzir a incidência de ECN e DAP. As mães podem receber esteroides quando o parto prematuro for provável entre 24 e 34 semanas de gestação. Antes ou depois desse período, normalmente a medicação é ineficaz.

O tratamento dos bebês prematuros também inclui:

  • leitos com temperatura controlada
  • monitoração da temperatura, pressão sanguínea, frequência cardíaca e respiratória e níveis de oxigênio
  • administração de oxigênio adicional com máscara ou respirador
  • ventiladores mecânicos (respiradores) para realizar a respiração pelo bebê
  • administração de líquidos intravenosos (IV) – quando não é possível alimentar o bebê ou para administrar medicamentos
  • colocação de cateteres (tubo fino) no cordão umbilical para administrar líquidos e medicamentos e para coletar sangue
  • radiografias (para diagnosticar problemas e verificar a posição dos cateteres)
  • alimentação especial com leite materno ou fórmula, às vezes com sonda que vai direto para estômago quando o bebê não consegue sugar o leite
  • medicações e outros tratamentos para complicações, como antibióticos
  • método canguru – maneira de tratar os bebês prematuros por meio de contato da pele dos pais para proporcionar o toque e fomentar a ligação entre o lactente e os pais

Quando o bebê prematuro pode ter alta hospitalar?

O bebê precisa de tempo para “engatar” no desenvolvimento e crescimento. No hospital, esse engate pode incluir aprender a comer e dormir, assim como ganhar peso constantemente. Dependendo da situação, o bebê precisa ficar no hospital até que atinja o tempo de gestação total que deveria ter tido.
As metas gerais da alta são:

  • resolução de doenças graves
  • temperatura estável – capaz de se manter aquecido em um berço aberto
  • alimentar-se no peito ou com mamadeira
  • não apresentar apneia ou baixa frequência cardíaca
  • os pais são capazes de cuidar do bebê, inclusive dar medicamentos e alimentação

Antes de deixar o hospital, o bebê precisa fazer um exame dos olhos e dos ouvidos para verificar se há problemas de prematuridade.

Embora sob alguns aspectos estejam prontos para a alta, certos bebês continuam a ter necessidades especiais, como oxigênio adicional e sondas para alimentação. Com as instruções e o equipamento corretos, em geral, é possível que os pais tratem esses bebês em casa.

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